DEPRESSÃO – DO CAOS À CURA

Uma doença hodierna, preocupante e que tem chegado ao seio da igreja. Como entendê-la, como submeter ao tratamento necessário e como exercitar a fé, é o que falaremos nesta pastoral.

Problema psiquiátrico erroneamente encarado como fraqueza e não doença, assim considerada pela Ciência, atinge pelo menos 500 milhões de pessoas segundo a OMS Organização Mundial de Saúde. Em 2020 será a enfermidade de maior impacto social no planeta, avisa o órgão.
A Dra. Eliane Rizzaro Costa, psicóloga Supervisora do Serviço de Psicologia Hospitalar do Hospital da Cruz Azul de São Paulo, diz que a depressão, hoje em dia, é uma das doenças que se encontra entre as mais diagnosticadas pela Organização Mundial de Saúde e é diferente da tristeza, que é um estado emocional transitório, sendo um distúrbio grave que pode incapacitar a pessoa para as atividades cotidianas. (Revista Cruz Azul – nº. 9 – 2010)

Continua sua explanação informando que as características dessa doença matreira, que chega quase sem ser percebida, entre outros sintomas comuns são: acordar e não ter vontade de levantar da cama, não só pelo cansaço físico, mas pela falta de energia, ter pensamentos negativos, dificuldade de enfrentar e resolver os problemas, de encarar a vida, e apresentar sentimentos de rebaixamento, alteração do apetite, insônia ou sono excessivo, dores no corpo e um humor depressivo que se acentua em determinados períodos do dia, principalmente à noite.

Sua causa precisa e efetiva ainda permanece desconhecida podendo ter origem biopsicossocial e/ou estar associada a uma enfermidade sistêmica, como, por exemplo, as disfunções hormonais, o hipotiroidismo e os tumores, assim como pode ser efeito colateral de algum medicamento, como alguns antidepressivos e esteróides. Outro fator que contribui para seu desenvolvimento é o álcool. Além disso, pode estar relacionada a fatores genéticos, tendência familiar, hereditariedade e/ou a fatores sociais desencadeados por uma perda marcante, morte de um ente querido, desilusões amorosas ou projeto social fracassado, ou seja, a diversas questões, em que as cobranças internas e externas sejam de grande intensidade.

Estudos ainda comprovam que os aspectos emocionais da vida da pessoa, a forma que ela lida com os conflitos e a formação da estrutura emocional durante a sua infância também constituem fatores de predisposição. Segundo estudos, a doença acomete mais as mulheres e isso se deve a alterações metabólicas, geradas, por exemplo, por mudanças hormonais bruscas – durante a fase da adolescência, a gravidez, o parto, a menopausa ou, ainda, em função do uso de anticoncepcionais.

Quando bem diagnosticada é possível tratar o paciente com sucesso. Mas, é importante esclarecer que o tratamento deve levar em conta o ser humano como um todo, incluindo suas dimensões biológicas, psicológicas e sociais.

Além da terapia farmacológica, utilizada principalmente nos casos de depressão moderada e severa, a psicoterapia também deve ser acompanhada de mudanças no estilo de vida, incluindo a prática de esportes e uma alimentação adequada.

A hospitalização só se torna necessária nas situações em que o risco de suicídio é detectado, ou então nos casos de abuso de substâncias químicas ou de não adesão ao tratamento.

A compreensão da família é essencial para ajudar a pessoa a retomar o seu equilíbrio psíquico, devendo os familiares aprender sobre as terapias eficazes.

Não se deve dizer à pessoa acometida pela doença que se trata de “sinal de fraqueza”, “falta de fé” ou que ele tem culpa por estar com esse problema, uma vez que a depressão é uma doença e, assim como as demais, requer tratamento adequado.

Feitas estas considerações essenciais para a compreensão da doença, passo agora, também, nesta pastoral, a lidar e tratar pelo lado espiritual que o caso requer.

Não existe nenhum tipo de doença que não possa ser curada através da oração da fé, desde uma simples gripe até um câncer, ou outra doença incurável qualquer. Em nosso ministério temos visto a realização de grandes milagres. Poderia citar aqui diversos exemplos.

Nos casos em que o doente é membro da igreja torna-se necessário, além do acompanhamento da família, que deve ser orientada de forma eficaz no relacionamento para com o mesmo, o acompanhamento e o aconselhamento pastoral que se utilizará também, com uma orientação segura, dos irmãos mais próximos ao enfermo.

Segundo alguns teólogos o profeta Elias também passou por um momento de depressão quando depois de matar os profetas de Baal fugiu seguindo para Berseba, atravessou o deserto e finalmente chegou ao Monte Horebe (Sinai) com medo da furiosa rainha Jezabel, viajando mais de 320 quilômetros, sem uma alimentação adicional, pensando que era a única pessoa que ainda era autêntica para com Deus. Sentia-se atemorizado, deprimido e abandonado, apesar de Deus prover-lhe comida e abrigo no deserto desejou morrer. Foi ali que conversou com Deus onde o próprio Senhor o confortou e o restaurou completamente para depois ser arrebatado num carro de fogo às margens do rio Jordão. I Reis 19.

Existem muitas referências bíblicas que nos possibilitam o exercício da fé para a cura dessa doença, saindo do caos para a cura definitiva, entretanto, necessário se faz ter todos os dados para seu diagnóstico e assim aplicar o conforto pertinente e exercer o poder da fé em nossas orações que muito pode em seus efeitos, não esquecendo nunca de que a fé sobrenatural provoca o milagre.

“Elevo os olhos para os montes: de onde me virá o socorro? O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra”. Salmos 121. 1e2

Abraços em Cristo
Pr Gilberto Precinotti